Pronomes de tratamento na cultura e na igreja

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É certo tratar Deus como “você”? O Dicionário Aurélio nos informa que, “em certas partes de Portugal”, o pronome de tratamento “você” “ainda indica respeito, prendendo-se, semanticamente, ao Vossa Mercê”, mas não parece ser este o caso do Brasil. Aqui, até meados do século 20, era virtualmente impensável um filho dirigir-se a seu pai chamando-o de “você”. O tratamento respeitoso de um filho ao pai, de um sobrinho ao tio, ou de um neto ao avô exigia o uso de “senhor”.

Atualmente, o uso de “senhor” ainda prevalece no trato comercial e em instâncias formais (interações jurídicas, parlamentares e com autoridades políticas, administrativas e de segurança pública). No entanto, mudanças se dão nos âmbitos da família e magisteriais. Dentro do lar, na fala contemporânea, o filho não usa mais “senhor” e sim “você”. E o mesmo acontece nas escolas, no trato do aluno com seu professor, especialmente a partir da adolescência. Mestres são chamados simplesmente de “prô”, ou por seus apelidos, ao invés dos nomes completos.

Essa transformação impacta a experiência cristã, caracterizada hoje por mais informalidade. Basta olhar para um foto antiga da igreja: Antes, desde adolescentes, os meninos compareciam aos cultos trajando paletó e gravata. Hoje, cultua-se com calça jeans e camisa xadrez. As letras dos hinários foram também revistas e atualizadas. E o mesmo se deu com as traduções da Bíblia, em um esforço de tornar o texto compreensível para o leitor contemporâneo.

Um fenômeno recente causa desconforto. Em algumas músicas de adoração, aquele que louva se dirige a Deus usando o pronome de tratamento “você”. É correto isso? Chamar Deus de “você”?

A resposta, que parece simples, será fornecida no próximo post.

 

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