Eu gostei de The Chosen

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Na semana passada, por indicação de meu sobrinho, eu assisti à primeira temporada da série The Chosen,[1]disponível na Netflix. Confesso que iniciei com expectativa baixa, considerando a tendência pendular de filmes baseados na Bíblia, por um lado, produções com excelente orçamento, elenco e produção técnica, mas fracos de conteúdo bíblico e inábeis no uso da literatura extrabíblica (e.g., Noé, superprodução da Paramount, de 2014), por outro lado, produções até fiéis ao que a Bíblia diz, mas cuja produção é sofrível por amadorismo ou limitação de recursos.

The Chosen surpreende, em todos os sentidos. É bíblico e bem-produzido. O roteiro é bem escrito, atento aos dados bíblicos, competente no trato dos dados extrabíblicos e na elaboração bem-costurada de narrativas que acrescentam camadas de complexidade e interesse aos personagens de forma que a liberdade artística não compromete a verdade dos Evangelhos. Em cada episódio, Jesus é mostrado a partir dos seres humanos com os quais ele interage e cujas vidas ele impacta com sua pessoa, ações e chamado. Quem quiser assistir a um filme de Jesus que contenha apenas o que a Bíblia diz, continuará se satisfazendo com Jesus segundo o Evangelho de Lucas, de John Heyman, produzido em 1979. Quem tiver interesse em uma série sobre Jesus de alto nível e configurada para a audiência contemporânea, precisa assistir a The Chosen.

Um detalhe que chamou minha atenção foi o fato do seriado ser financiado por meio de crowdfunding (financiamento colaborativo) e ser gratuita, ou seja, pode ser acessada diretamente pelo site da Angel Studios. As pessoas que contribuírem podem até visitar o set ou participar como figurantes. De acordo com o site Wikipédia:

O seriado também gera receita por meio do licenciamento para outras plataformas de streaming e redes de televisão, vendas de vídeos e mercadorias e estreias limitadas em cinemas. Até novembro de 2021, os espectadores contribuíram com 40 milhões de dólares para a produção da série, tornando-a de longe o projeto de entretenimento com financiamento coletivo de maior sucesso da história. Foi traduzido para 62 idiomas e distribuído em todo o mundo. De acordo com uma análise encomendada pelos produtores, 108 milhões de pessoas assistiram pelo menos parte da série até 2022, sendo que, de acordo com o seu aplicativo gratuito, a série já foi vista por mais de 450 milhões de pessoas.[2]

Ao estrear na Netflix, The Chosen pode ser acessada por “mais de 220 milhões de assinantes. […] A produção, que já está na terceira temporada, é considerada a ‘primeira série de televisão multitemporada’ sobre Jesus e seu discípulos”.[3]

É claro que minha opinião pode mudar, nas temporadas seguintes. Por ora, posso dizer que, com base no que vi na primeira, gostei e recomendo The Chosen.

Para você que ainda está em dúvida sobre se deve ou não assistir à série, eis uma amostra, a cena do encontro entre Jesus e a mulher samaritana (e entenda que a cena ganha textura e profundidade ao assistir o episódio completo, que traz o momento em que Jacó cavou o poço e mostra o drama da mulher, conversando com um ex-marido e sendo rejeitada pelos conterrâneos de Samaria).

Você será edificado assistindo a The Chosen. Convido você a assistir, comentar e divulgar.


[1] THE CHOSEN (Os escolhidos). Produção de Chad Gundersen; Justin Tolley; Chris Juen. Diretor: Dallas Jenkins. Cinematografia: Akis Konstantakopoulos; Petros Atoniadis.  Roteiristas: Tyler Thompson; Dallas Jenkins; Ryan Swanson. Local: Estados Unidos, 2017. Distribuição: Angel Studios.

[2] “The Chosen”. In: WIKIPÉDIA. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/The_Chosen>. Acesso em: 26 dez. 2022.

[3] VIANA, Jonas. “The Chosen já é um dos conteúdos mais populares da Netflix”. In: ComShalom. Disponível em: <https://comshalom.org/the-chosen-ja-e-um-dos-conteudos-mais-populares-da-netflix/>. Acesso em: 26 dez. 2022.

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